
Viva essa energia!
por Gabriela Canseco, em 30/07/2007
Na noite fria e chuvosa do último domingo, o encerramento dos XV Jogos Pan-americanos Rio 2007 foi recheado de uma mistura de música brasileira e mexicana, em um espetáculo com a alma e essência da cultura latino-americana. A apresentação emocionou, mas não conseguiu bater a animação da abertura dos Jogos.
A chuva e a diminuição normal dos torcedores nos últimos dias do Pan deixaram partes vazias no Maracanã. Antes do início do evento, os ingressos fora da bilheteria eram vendidos muito abaixo do valor normal e teve até quem "doasse" suas entradas restantes pela dificuldade de vendê-las.
Dentro do estádio, a ala visivelmente mais animada e mais cheia era dos voluntários, que ganharam ingressos para assistirem ao encerramento. Na parte das delegações, se comparado à cerimônia de abertura, poucos atletas compareceram, já que a maioria havia ido embora. Apesar do público um pouco menos animado do que de costume, o número menor de espectadores não prejudicou a beleza da apresentação.
Os gritos entoados de "Ah, sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor" e os aplausos para os atletas quando apareciam em vídeo ou no gramado do estádio mostraram que, mesmo com frio e chuva, os brasileiros sabem fazer a festa. Já as vaias às autoridades sinalizaram, como aconteceu também na abertura, o descontentamento com a política do país.
Espetáculo à moda brasileira
Os fogos de artifício sinalizavam o início da cerimônia. Bombeiros que trabalharam no resgate das vítimas do acidente com o avião da Tam no último dia 17 emocionaram as pessoas presentes ao entrarem carregando a bandeira do Brasil. As delegações, principalmente a do Brasil, desfilou fazendo festa e arrancando aplausos. Depois, efeitos luminosos e dançarinos coloridos comandaram o espetáculo ao som de muita música brasileira.
Arnaldo Antunes e Ana Costa agitaram o público com o tema oficial do Pan Rio 2007, Viva Essa Energia. Em um momento sublime, o filho de Dorival Caimmy, Dori, e sua filha, Alice, cantaram música para chamar o vento e apagar a Pira Pan-americana.
As expressões corporais, símbolos, movimentos e cores deram ao espetáculo ares de magia. A história da música brasileira foi interpretada ao som de instrumentos populares acústicos e de um piano. Na platéia, ouvidos aguçados e olhares atentos acompanhavam a desenvoltura no cenário.
Com a festa liberada para os artistas e atletas no gramado do Maracanã, foi a hora de fazer o público se mexer e dançar com o funk de Fernanda Abreu e DJ Marlboro. A apreciação de uma boa música latina também ficou por conta da parceria entre Lenine e o uruguaio Jorge Drexler. Em grande estilo, Elza Soares fez o frio ir um pouco embora com o estádio sambando e balançando. Para completar, o grito da torcida: "Aha, uhu, o Maracanã é nosso!".
A cerimônia foi fechada com chave de ouro: fogos de artifício romperam no céu com clarões mágicos. O espetáculo foi comparável ao famoso reveillon do Rio de Janeiro. De todas as cores, formatos, sons e movimentos, os fogos decretaram o encerramento do Pan-americano 2007.
"Hasta Guadalajara-2011!"
Pan 2011 em Guadalajara, no México. No encerramento do Pan Rio 2007 deu para sentir um pouco do que há por vir nos Jogos em solo mexicano. O ritmo latino envolvente fez o público se mexer e aplaudir muito a cultura do país. Os mexicanos, que foram bastante acolhidos pela torcida brasileira na capital carioca, fizeram o complemento perfeito às apresentações representantes do Brasil.
Danças tradicionais, roupas típicas e sombreiros destacaram o plano de fundo das músicas embaladas por grupos antigos e modernos do México. Os instrumentistas e dançarinos deixaram o gostinho de quero mais para que o público compareça daqui a quatro anos em Guadalajara.

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