30/07/2007
Sonho realizado
por Gabriela Canseco

Cobertura jornalística do Pan-americano Rio 2007 foi mais que um sonho realizado, foi também lição de vida, experiência acadêmica e profissional, realização pessoal e, por fim, a certeza de que aprendemos muito, mais do que talvez a gente possa compreender. Sinceramente, não sei se conseguiria aqui traduzir palavras, que também são as de Cibelle Fernandes e Adriano Leite, para encerrar a nossa jornada.

A certeza que temos é de que tudo só foi possível porque acreditamos e teve quem apostasse em nosso trabalho. O meio acadêmico proporcionou o espaço para debater, ousar, criar e fazer algo diferente. O espírito profissional nos deu a capacidade de ver além do óbvio, o feeling necessário e a cara-de-pau essencial, sem deixar de lado a ética.

O surpreendente número de acesso por dia no site e os vários e-mails de amigos e desconhecidos deu a força para mover o trabalho durante os dias no Rio de Janeiro. As dificuldades instigaram o desafio. Os erros motivaram a busca por acertos. E o sonho de ver o projeto executado nos deu confiança para meter a cara no desconhecido e fazer o que tinha que ser feito.

Ao longo da jornada conhecemos pessoas e a essência do povo que fez o Pan acontecer. Personagens com histórias, que passaram a ser nossas também. Vários olhares, pontos de vistas e opiniões agregaram a nossa seção "Perfil", além de trazer mais conhecimento aos nossos valores e idéias em um trabalho jornalístico mais humano. Pessoas inesquecíveis no maior evento esportivo das Américas....

Dados, informações e fatos não escaparam ao nosso lado jornalístico do dia-a-dia, porém o olhar diferenciado sobre o Pan deu o toque especial ao "Enfoque". Por meio de reportagens que extrapolaram resultados e jogos, pudemos abordar os diferentes aspectos do evento e da cidade do Rio de Janeiro.

A opinião e a crítica devem ser capacidades não só exclusivas de jornalistas, como também do cidadão. Pensando nisso, o "Editorial" de cada dia explorou pontos do Pan-americano que não poderiam passar batido. No entanto, crítica por si só às vezes não tem valor e, por isso, procuramos sempre apontar soluções e dar opiniões com embasamento.

Um evento esportivo da dimensão do Pan-americano tem como destaque a "Torcida". Pessoas de tudo quanto é lugar, de todos os jeitos, idades, raças e pensamentos estamparam o espaço para opinião do torcedor. Gente louca, maluca e gente séria. Um pouco de cada coisa na voz do povo.

Apesar de ser uma cobertura que se propôs a abordar o Pan sobre outro viés, não poderíamos deixar de lado os jogos, fatos e resultados. A seção "Dia", abastecida via RSS da agência de notícias G1, proporcionou a dinâmica para ficar por dentro das últimas notícias dos Jogos.

Os "Bastidores" deu o lado irreverente e descontraído ao site. Jogar aberto e expor para o leitor nossos dramas, alegrias e dificuldades proporcionou um retorno incrível: a proximidade com os internautas. O nosso "blog", que não deixou de ter um pouco de viés jornalístico, complementou a questão do "olhar sobre o Pan".

Talvez a seção que mais tivemos dificuldade, a que, em uma auto-crítica, deixou um pouco a desejar foi o "ombudsman". Encontrar pessoas da área de comunicação para avaliar com severidade nosso trabalho não foi nada fácil. Mas conseguimos algumas análises interessantes sobre o projeto, o que também incentivou o debate interno sobre algumas questões, visando a melhoria do site.

Por fim, concluímos nosso trabalho, pelo menos por enquanto. Como é um projeto de conclusão de curso, ainda falta a maratona de relatórios, ajustes no projeto e finalização. Mas a parte de produção, o nosso sonho, está feito. Entre tropeços e acertos, modelamos e demos cara ao que chamamos de "nosso filho". Acabamos com isso escrevendo mais uma parte da história de cada um de nós, que, com certeza, não acaba por aqui. Ainda há mais sonhos, mais desafios.

Estamos cansados, exaustos, mas com a sensação dever cumprido. Chegamos no fim de nossa jornada, agradecendo a todos pelo apoio e sustento. Esperamos também a qualquer momento todos que queriam apontar falhas e críticas ao nosso projeto. O espaço está aberto para discussão.

Bem, acho que mudei de idéia sobre não conseguir traduzir em palavras. Creio que agora uma palavra definiria tudo isso aqui. Uma palavra, um verbo conjugado na primeira pessoa do plural, que veio à mente olhando para a beleza dos fogos da cerimônia de encerramento do Pan, em uma festa linda no Maracanã: CONSEGUIMOS.
 


28/07/2007
Comendo de graça e outras peripécias
por Adriano Marquez Leite

E não pára de chover aqui no Rio. Vento, névoa, garoa... e frio. Muito frio. Ontem não fomos à canoagem como previsto, porque mais uma vez o mau tempo atrapalhou. À tarde, como previmos de manhã, também não deu certo a ida para a Marina da Glória, onde assistiríamos às provas de vela. Quem estaria lá, em meio a tanta chuva?

Bem, saímos para almoçar e economizamos 20 reais. Falando baixo, pra variar, outro goiano nos ouviu e puxou papo. Era um cinegrafista da TV Anhanguera que foi contratado para filmar no Pan. Com ele, três tíquetes alimentação sobrando e, cinco pessoas famintas. No final, Cibelle e Flávio comeram antes, porque Éder foi buscar os vales. Comida ruuuuim! Hehehe

Depois uma passeada pelo calçadão de Copacabana. Pollyana, espertamente voltou para o apartamento e, depois do super passeio em meio a uma tempestade de vento, uma passadinha de duas horas no Shopping Rio Sul pra Gabriela olhar a loja da Melissa. Ô indecisão! Cibelle nem pra ajudar. Eu e Flávio com cara de tacho. Mas foi bom.

À noite, Monobloco, no circo voador. E a chuva engrossou e foi só. Amanhã tem encerramento.


27/07/2007
Aplausos e silêncio – contraste de espetáculos
por Cibelle Fernandes

E, para variar nestes dias, o "grupo" se separou novamente. Decidida a não perder mais um dia de trabalho pelo tempo, resolvi assistir o penúltimo dia de atletismo. Terminada todas as "obrigações", sentei e resolvi assistir a prova dos 10000 metros masculina. Diferente da grande maioria das provas, essa exige mais que velocidade, resistência.

Os primeiros momentos são bem recebidos pelo público que empolgado acompanha cada passada. Mas a prova é longa, e em alguns minutos todos se cansam um pouco e começam a desviar suas atenções para outras modalidades simultâneas que ocorrem na arena. Por volta dos dez minutos (metade da prova), as atenções de um Engenhão cheio começam a se voltar para aqueles homens.

Os dois brasileiros eram quinto e oitavo lugar. Aos poucos, no entanto, Marilson Gomes dos Santos vai ultrapassando os outros atletas. Cada vez que os cinco primeiros colocados passavam pela torcida, os gritos acoavam para fora do estádio. Marilson, numa dessas, estava na frente de todos os outros. Os próximos dezoito minutos que seguiam eram de tensão completa.

Com 25 minutos, só três atletas estavam na frente, a esta altura com desistência de um atleta. Nestes instantes finais todos aguardavam apenas para ver qual dos três teria o sprint mais forte. Nos últimos 100 metros, o Engenhão explode em gritos e mãos tensas, a espera do aplauso. Mas o mexicano parecia ter mais fôlego e ultrapassou o brasileiro. A expressão de desespero pelo ouro fugindo das mãos estava ali, na frente de todos. O silêncio tomou conta do grande Estádio por alguns segundos e logo os aplausos concedidos. Foi a prata, minha gente, a prata!

Estes últimos dias tem promovido momentos emocionantes. O Adriano foi para um lugar aparentemente mais calmo, o hipismo. Com uma capacidade de mais de um pouco mais de três mil pessoas, silêncio era praticamente uma exigência do ambiente. No entanto, a sensação de tensão gerada é tanta que, no momento que o cavalo termina as provas sem nenhum erro é comparado a um gol no futebol, segundo o Adriano.

Estes últimos momentos tem sido bom para todos nós aqui. Amanhã com a Gabriela de volta, com certeza, teremos mais relatos.


*Esse frio podia passar só um pouquinho, poxa!

** A propósito, o vídeo do Gol da Marta pelo nosso ponto de vista pode ser visto neste link. Em breve mais videos.


26/07/2007
É dia de jogo!
por Adriano Marquez Leite e Cibelle Fernandes

Enfim, conseguimos assistir uma final do Pan-Americano! Antes de mais delongas e histórias, essa é a informação mais importante de hoje. Agora, vamos melhorar o texto. Conseguimos assistir uma final, e foi de futebol, no Maracanã lotado e o Brasil ganhou ouro! Ou seja, hoje foi O grande dia.

Por volta das dez da manhã, o metrô era amarelinho de camisetas brasileiras ou qualquer coisa que remetesse à seleção canarinha. Engraçado foi ver tanta agitação para uma final de futebol feminino, que a alguns anos era tratado com menosprezo até pelos torcedores. Concentração a cada lance, comentários sobre os lances e até mesmo, quem diria, o juiz que teve sua mãe generosamente insultada. Coisas do futebol.

Nos minutos finais, o grito de "É campeão" podia ecoar a alguns metros dali. Sentimos o estágio tremer em verde e amarelo, cor que agrada todo mundo, sem rixas, sem brigas. Espetáculo para gravar na memória de uma vida.

Engraçado as pessoas se levantando a cada lance. Mesmo que mais bobo e longe de perigo de gol, todos estavam ali ansiosos por mais uma medalha de ouro do Brasil. Agora nos igualaríamos a Cuba e, ao final desta quinta-feira, o Brasil termina pela primeira vez o dia em segunda na classificação por medalhas. Temos as mesmas 35 de ouro que Cuba, mas ganhamos na prata e no bronze. No total, são 111 medalhas para o Brasil. A caminho de outro recorde?

Então... nesse levanta e senta, as cadeiras deixaram de ser para descanso e, subir nelas, virou obrigação para quem quisesse ver um pouco além da próxima fileira. Na foto não ficou visível, mas alguns até se arriscavam nos braços das "poltronas" do Maracanã que, desse jeito, em breve estarão completamente deterioradas. Problemas de um futebol que causa tanta comoção. Parecia que todos ali acompanhavam o futebol feminino desde crianças. A vantagem é que, pelo menos, parece que há o sério interesse em patrocinar uma liga feminina no Brasil. Será?

Mas narrar sensações muitas vezes é altamente complicado. Tente entender pelo vídeo que gravamos no segundo pênalti, e a vibração da massa. Como diria a nossa colega Gabriela, é "Surreal!".

*A propósito, acabamos de descobrir que estamos famosos na região do Jardim de Alah. Ao pedir lanche na lanchonete aqui nas proximidades, o telefonista soltou um belo "ah sim, no condomínio dos jornalistas?". Risos.


26/07/2007
De volta...
por Gabriela Canseco

Vocês devem estar se perguntando por onde ando, não é? Pois bem, tive que voltar para Goiânia para resolver algumas coisas no trabalho nos últimos quatro dias. Foi uma decisão difícil, pois para mim seria impossível escolher entre o trabalho e o projeto, escolher entre dois sonhos. Ainda bem que ganhei a oportunidade de conciliar as duas coisas, sem prejuízos grandes para as partes envolvidas: no trabalho ganhei alguns dias para viajar e no projeto bolamos uma forma de produção.

Mesmo em Goiânia ou em São Paulo (já que fiquei quase dois dias presa em SP por causa do caos no Aeroporto de Congonhas), prossigo produzindo algumas matérias e editoriais com o que consegui adiantar e com o que continuo acompanhando. Esse retorno também me deu um ponto interessante que foi poder ver o Pan sob dois olhares: o de quem está lá no evento e o de quem acompanha de fora. Porém, se pudesse, é claro, preferia estar todos os dias no Rio. No entanto, tudo se resolve.

Os meninos estão lá na capital carioca, na pauleira do dia-a-dia do Pan, mas sempre estamos em contato para que coloquemos tudo de nós nesse projeto. No mais, (se nenhum outro caos aéreo me atingir.... hehehe), amanhã estou de volta, acompanhando de pertinho os Jogos na cidade maravilhosa!


26/07/2007
Galeria
por Adriano Marquez Leite

Cibelle, Eu e Gabriela com equipe do Tudo a Ver - sem tietagem, diga-se de passagem!

Flávio, Cibelle, Eu e Pollyana - Cerimônia de Abertura do Pan, na Maracanã.

Com Anacretão Tv e a turma "animada" que chegou junto depois ao colega, dono da emissora.

Dá-lhe Ciba... Concentradíssima no trabalho

Porta do Maracanã, no dia em que fomos no Maracanãzinho... por que não tiramos a foto lá? Não sei...

The Lord Jim's Pub, perto de "casa"

Comendo pizza... ou melhor, degustando, porque com um preço desses....

Eliminatórias ginástica artística e a cara de quem não queria estar vendo pela televisão.

Não foi briga, apenas coincidência e o espírito aguçado do fotógrafo!
Polly e Eduardo - ela ainda no apto; ele já em Goiânia.


25/07/2007
Um bife a cavalo e a internet funcionando!
por Adriano Marquez Leite

Nossa! Hoje surgiu a idéia de uma eleição no fim de nossa cobertura. Enquanto conversava com a Cibelle, criamos diversas categorias para "premiar" os astros que foram parte de nosso projeto: nós, nossos companheiros de apartamento e, claro, vocês leitores. Isso num almoço pra lá de engraçado:

Garçom: o que vão querer?

Eu e Cibelle (juntos): bife a cavalo.

G: para beber?

E/C: H'mm... Guaraná. (risos)

G: Com gelo e laranja?

E/C: Isso... e mais risos.

A tarde fomos para o Maracanã. Pegamos um ônibus que demorou nada menos que duas horas para ir aqui do Leblon até lá. Deu tempo até para cansar de dormir dentro do ônibus - eu adoro dormir, dentro de ônibus então... a Cibelle, pelo que sei, só dormir já basta. Então chegamos mais que descansados e mais que atrasados. Mas deu tudo certo. Trabalho feito, não é mesmo?

De volta ao apartamento, descobrimos que um dos problemas na falha da conexão é porque a Pollyana estava colocando o login com uma letra errada. Funciona agora, sem a senha do Flávio. Mas as boas notícias não param por aí. Resolvi tentar com o Flávio colocar o wireless pra funcionar aqui no apartamento. CONSEGUIMOS.

Conexão de rede sem fio

Velocidade: 11,0 Mbps

Nível do Sinal: Excelente

Status: Conectado

Antes, era na base de 1,0 a 2,0 Mbps e nível de sinal sempre baixo. Ponto pro Flávio, além de um grito pra ver se nosso salvador até agora, o linksys, ouvia nosso agradecimento pela ajuda.  Mas já colocamos senha na rede, afinal, vai que alguém resolve roubar nossa conexão? Risos.

Amanhã tem final do futebol feminino no Maraca. Depois a gente fala como foi e passa também o link do vídeo que a Pollyana fez hoje no jogo da seleção brasileira de vôlei. Ponto pra Polly.

Ponto pra todo mundo. Menos pro sol. Continua nublado e, agora, chovendo e ventando.


24/07/2007
Nublado e garoando: São Paulo?
por Adriano Marquez Leite e Cibelle Fernandes

Pela primeira vez nossa equipe estava completamente separada. Eu (Adriano) ia para o Rio Centro e a Cibelle para a lagoa Rodrigo de Freitas. Em um dia nublado e de muita garoa, o local para o qual iria pareceu uma pedida bem melhor do que a da Ciba, já que assisti a lutas no complexo fechado.

Diferente de outros ambientes jornalísticos, as "reuniões de pauta" são feitas pela noite. E mesmo que o nosso trabalho não seja voltado para as competições em si, precisamos da agitação para criar um ambiente propício para as matérias. Sendo assim, tudo definido para eu (Cibelle): pela manhã esqui na Lagoa seguido de Vela na Marina da Glória, que são próximos e semelhantes.

Planejamento perfeito se as duas modalidades não dependessem do tempo do Rio de Janeiro. E hoje, São Pedro não quis ajudar. Ao chegar na região da Lagoa, por volta das 10 da manhã, a chuva caia sem parar. Tudo cancelado. De uma maneira ou de outra, a pauta tinha caído, e era hora de correr atrás de outra. Os pensamentos confusos atrapalham um pouco estes momentos de sim e não, e a decisão de ver os ingressos da modalidades na bilheteria, ao invés de só buscar na internet, demorou a surgir.

Em Copacabana, na bilheteria da Arena do vôlei de praia, surge uma senhora com o "ingresso de ouro": vôlei de praia masculino para amanhã por R$50. Abri a carteira: R$60. Contente já gritei pra segurar a única vaga quando fui calcular que precisava de pelo menos quatro reais pro transporte e uma pauta não resolvida para hoje. Sobraria um real. A sensatez (ou seria delírio, oportunidade única) não deixou arriscar tanto sozinha. Reclamei com minha consciência e assisti o Canadá x México ao custo de R$5. A realidade pesa muito essas horas. Ao menos tive o privilégio de entrar no Maracanãzinho, que enche os olhos de qualquer espectador. E ainda sobrou dinheiro pro sanduíche de ricota!

Já eu (Adriano) não tive a mesma sorte. Hoje pela manhã, o Eduardo (nosso colega de apartamento) voltou para Goiânia e esqueceu de deixar a chave - Cibelle e Pollyana estavam com as outras. Fui assistir à apresentação do esqui aquático (à tarde a prova foi reaberta) e depois comi no shopping até que alguém chegasse. Ninguém chegou e, por sorte, encontrei com a dona do apartamento, Emma, que me deu as chaves reserva. E só. Nublado, o dia fica muito chato. 


22/07/2007
Se os ventos só soprassem para a direção certa, nada teria graça
por Adriano Marquez Leite

Um dia para comemorar. Nenhuma nuvem, um sol de rachar e a temperatura acima dos 30 graus. Nunca o Rio se pareceu tanto com ele mesmo desde que chegamos. E para aproveitar o dia, as competições na Lagoa Rodrigo de Freitas pareciam ideais para fazer nosso trabalho do dia. Leigo engano.

Saímos depois das oito da manhã e deixamos a Cibelle em casa, que disse que iria em seguida com o Flávio. Só que esquecemos de deixar a chave com ela e 40 minutos depois, quando eu e Gabriela já estávamos do outro lado da lagoa, a mensagem no celular pedia socorro. Nosso outro companheiro de apartamento saiu e a havia trancado aqui dentro.

Voltamos. A Gabriela grilada por ter que voltar - já tínhamos andado muito e, o pior, na direção errada. Mas voltamos. Depois de sair do apartamento, outro café da manhã para sustentar até um pouquinho depois das duas da tarde, assim terminaríamos nosso texto mais cedo e aproveitaríamos melhor o dia.

Na volta para a lagoa, que também é Parque Tom Jobim, nossa primeira grande discussão. A Gabriela ainda chateada com o tempo que perdemos me falou algo. Ela jura que não e eu juro que sim, fato é que interpretei as palavras dela num tom que não deveria e acabamos brigando. Não gostei, mas ela também não. Os dois errados. Conversamos, sob a intermediação da Cibelle e tudo se resolve aos poucos.

Não bastasse isso, as competições de esqui foram transferidas das nove para o meio dia, esperando que o vento no local diminuísse. Nada mudou e, pelo menos no período matutino, as provas de rampa e truques foram canceladas, mas nosso trabalho já estava pronto.

Pra finalizar, ainda pegamos o ônibus errado. Primeiro Copacabana e depois o túnel Rebouças, direto para São Cristóvão. Uma grande volta para quem queria economizar no máximo dois quilômetros para chegar ao Leblon. De lá, voltamos e chegamos! Até que o passeio foi bom pra refrescar... 


21/07/2007
A bruxa está solta!
por Gabriela Canseco

Definitivamente hoje não foi um bom dia no Rio de Janeiro. Começando por termos perdido a hora e a largada da prova de estrada do ciclismo, no Aterro do Flamengo. Bem, mas pelo menos deu tempo de ver o restante da corrida e da premiação. A tristeza também veio ao ver Janildes Fernandes, goiana, chegar em quinto lugar porque definitivamente hoje também não era o dia dela.

O pior de tudo foi a tal da "branqueira", como diria minha mãe. Hipoglicemia não é coisa para se brincar e eu posso dizer isso com toda certeza por experiência. Sem comer, cansada, num sol infernal, o resultado foi passar mal. Bateria do meu corpo em nível crítico. Sorte minha é o Adriano e Pollyana terem tido muita paciência, afinal amigos são para isso mesmo.

Depois da prova de ciclismo e uma passada pela Marina da Glória, resolvemos ir até o Aeroporto porque, com o caos nos vôos, achei melhor já checar como andam as coisas no Santos Dumont. Por azar, a moça do balcão não soube nos informar e entregou o número do 0800. O jeito foi voltar para casa e ligar depois.

Eu e Adriano, voltando para o Leblon, víamos tantas pessoas sorridentes pegando o metrô para ir à praia em um sábado de sol, muito sol. A gente ali, morrendo de inveja daquele povo. Morando a duas quadras da praia e não teria como curtir um fim de semana na paisagem linda do Rio.

Vocês devem estar se perguntando onde estava a Cibelle, não é? Pois bem, ela estava em Copacabana no vôlei de praia e definitivamente acabou por concluir que também hoje não era o dia. Pela primeira vez, não teve boa receptividade das pessoas que foi entrevistar. Gente grossa e gente indiferente quase fizeram rolar algumas lágrimas. Hoje a bruxa estava solta mesmo!

Para completar, a grana de todo mundo está acabando. O Adriano está agora ali na sala com um olhar de descrença sobre um prato de miojo, que acabou sendo também a minha janta. A Ciba aproveitou também para comer o prato do dia. Ô saudade da comida de casa!


20/07/2007
Balanço preliminar dos sonhos
por Cibelle Fernandes

Ainda consigo me lembrar das primeiras conversas sobre o nosso projeto de conclusão de curso. Quando eu, Adriano e Gabriela começamos a estruturar algumas idéias sobre a vinda para os jogos, muitas pessoas nos chamaram de malucos e disseram que era tudo ousado demais. Vi muitos olhares firmes de que não conseguiríamos. Pois bem, estamos aqui.

Logo em agosto do ano passado dissemos para aquela que seria nossa futura orientadora: "nosso projeto de pesquisa será uma cobertura diferenciada do Pan!". Ainda consigo lembrar a feição da Silvana Coleta ao contarmos a nossa meta, num misto de receio e entusiasmo para uma idéia que achava tão ambiciosa.

Depois de quase um ano estamos os três aqui, no Rio de Janeiro, construindo dia a dia este site, nosso "filho". Em uma semana de trabalho não tivemos problemas para "encontrar" pautas e cumprir metas diárias. Inclusive, tivemos até excesso de temas e precisamos decidir o que teríamos de cobrir com maior e menor ênfase, e até mesmo descartar.

A grande vantagem de trabalhar essencialmente com personagens é que esses surgem nas situações mais inusitadas. Eles podem ser pessoas de importância social, como o atencioso Agnelo Piva, ex-ministro dos esportes, anônimos que se destacam em determinadas situações, como a aposentada Zilma Pires indignada com injustiças, ou pessoas que se aproveitam do momento para chamar atenção da sociedade, como o Palhaço Pirulito na luta pela paz.

Descobrir estes perfis nem sempre é uma tarefa das mais fáceis, mas com certeza tem sido gratificante pessoal e profissionalmente para todos nós ver o mundo por outras perspectivas, outros enfoques e realidades desconhecidas. Muitas vezes, desfazemos pré-conceitos com alguns minutos de conversa, como no caso do gari Ricardo Sarmento, que calado observa todos os movimentos e traça seuss próprios ponto de vista sobre os jogos.

Apesar do nosso grande destaque serem as pessoas, temos tentado não sair da cobertura esportiva. Na medida do possível (e do acessível também) acompanhamos os jogos e tentamos ser os mais democráticos possíveis. Cobrir só praia e Lagoa seria muito fácil. Acordamos cedo, corremos atrás do ônibus, metrô, andamos e vamos rumo ao incerto muitas vezes.

A grande possibilidade de opinar também tem sido um ponto relevante. Nossos editoriais são a nossa percepção sobre o evento, muito mais que meros achismos. Trazemos argumentos embasados, corremos atrás, gastamos "lábia" e discutimos muito para trazer o que vale ser comentado e repassado para vocês que prestigiam nosso trabalho diariamente. Isso sem falar que treinamos ponto de vista, algo tão importante para a construção de boas entrevistas e reportagens.

Se isso é um balanço, o saldo é positivo até o momento. Antes de chegar aqui, passamos por muitas problemas, vitórias e derrotas também. Mas no geral fomos vencedores e somos todos os dias ao conseguir encontrar notícias, personagens, fatos a partir da conversa, sorte ou mero acaso. E que amanhã surjam novas pessoas, desafios, confusões e relatos. Com toda certeza, estaremos atentos. Se for mera sorte, que continue ao nosso lado.

E por falar em sorte (ou seriam previsões certas), a "tia" Lúcia não estava certa ao dizer que o sol apareceria na sexta feira? Hoje, as oito da manhã o céu estava sem uma nuvem, como em um bom cenário praiano. Pelo menos nesta manhã pudemos aproveitar as belezas do Posto 9. E não podemos negar que esta terra continua muito linda!


19/07/2007
De esportes, previsão do tempo e favelas
por Gabriela Canseco

Realmente o clima parece conspirar contra. Nada de sol. Mais um dia feio, nublado e de frio na capital carioca. Mais um dia de tentativa frustrada de ir à praia. Vocês, internautas, devem imaginar que todo dia é dia de curtir aqui, não é? Mas não, tem muita correria por conta do trabalho e as horas vagas que tentamos ir ao encontro do mar foram podadas devido às condições climáticas. Fomos apenas para ver a maratona aquática e vôlei de praia. Nada de curtir verdadeiramente as belas praias da zona sul.

Sem outra opção, fomos direto para o Rio Centro. Mais uma tentativa frustrada. Ingressos esgotados. Mas já estamos acostumados a nos virar e rebolar para conseguir uma boa pauta, uma boa matéria. Digamos que a cada dia temos novas surpresas, conhecemos pessoas diferentes e compartilhamos histórias de vidas.

Hoje não foi diferente. Dia de descobrir as peças raras e muita coisa inusitada. E, acreditem, conseguimos muita coisa e gente interessante do lado de fora dos pavilhões 4 e 5 do Rio Centro. Isso é resultado do nosso olhar apurado, força de vontade e muita cara de pau mesmo.

Não poderia faltar também os momentos de emoção e aventura. Hoje, em busca de uma boa foto, foi a vez de colocar Adriano e Cibelle para caminhar um bocado junto comigo, às margens de uma rodovia, enfrentando frio e fome. Passamos por um esgoto a céu aberto fedorento e caminhamos na beira de uma favela. Apesar dos pesares, conseguimos a foto, que pode ser vista na página inicial e no nosso editorial.

Amanhã é dia de nova investida para ir à praia que fica a duas quadras do nosso apartamento (parece até piada não termos ido até hoje). A esperança é a última que morre. A empregada da casa do Flávio, a "tia" Lúcia como diria a Cibelle, é experiente em previsão tempo. Esperamos que ela esteja certa sobre termos uma sexta-feira ensolarada. Por enquanto, os termômetros apontam: frio na noite carioca desta quinta-feira.

 


18/07/2007
Quando o gel não resistiu
por Adriano Marquez Leite

A ida hoje à Zona Norte do Rio foi um marco na cobertura. Mais do que achar personagens engraçados, pegar uma ventania e um ônibus errado, temos agora uma visão mais completa do que é a capital carioca. Longe de se restringir a Ipanema e Copacabana, a Zona Norte mostra que o Rio tem um modo de vida completamente distinto da Zona Sul, mesmo se considerarmos as favelas da região nobre.

Nas apertadas ruas de Irajá, Madureira e Engenho de Dentro, andamos em um ônibus mal conservado e que beirava os 60 quilômetros por hora em um local que não arriscaria 20, de carro. Bem diferente do transporte coletivo "mais educado" e limpo do Leblon.

Mais a ida pra lá, teve motivo especial. Lembram quando falamos do Flávio, namorado da Cibelle, e que nos deu uma mão com a internet do apartamento? Então, a mãe dele, D. Elaine, nos convidou para um almoço excelente. Depois de alguns dias, comida caseira cai melhor do que qualquer restaurante cinco estrelas. Na companhia do Dieguinho, irmão do Flávio, almoçamos e demos boas gargalhadas.

Depois, rumo ao Engenhão! Muito bacana. A movimentação da cidade por lá é completamente diferente e, mesmo em outro ritmo, muito interessante.

[...]

Saímos do estádio, depois de um ótimo México x Venezuela e um morno Brasil x Costa Rica. Pegamos uma ventania que encheu os olhos de areia, e um pouco da alma também. Por causa disso, avistamos um ônibus que achamos ser o nosso. Entramos sem pestanejar, paguei e só depois de passar na roleta, a Cibelle descobriu que o ônibus ia para o caminho exatamente oposto ao nosso. Mais correria e outra volta no Engenhão.

A foto foi numa dessas voltas, com menos três reais no bolso, muito cansaço e ainda muito vento. E, por isso, areia e cabelo no rosto, quando o gel não resistiu!


17/07/2007
Alegria no PF
por Cibelle Fernandes

Talvez não seja de conhecimento de todos as pessoas que acessam este site, mas a equipe de estudantes está hospedada num pequeno apartamento no bairro do Leblon. Estar num bairro "chique" tem vantagens maravilhosas como fácil acesso aos jogos na Orla, além de acesso muito tranquilo aos meios de transporte da cidade (destes, aliás, não temos nada a reclamar!).

No entanto, ser morador de um bairro como este traz algo que constantemente nos assusta: o custo de vida. Para goianos, o custo desta cidade naturalmente é alto, imagine morando numa das áreas mais valorizadas?

Para reduzir os custos da viagem sempre tentamos nos alimentar da maneira mais barata, sem que isso prejudique a nossa alimentação e saúde, mas tem sido bastante difícil. O preço de um prato executivo (ou prato feito, como preferirem), nunca saiu por menos de 13 reais. Um sanduíche pode sair por oito reais. A única alternativa encontrada até ontem era almoçar nos bairros próximos, com custo mais acessível, como Copacabana.

Hoje, ao sairmos pra almoçar (acreditem: às três horas da tarde), estávamos desanimados em encontrar algo barato, fomos atrás de um lanche mesmo. Que surpresa a nossa quando lemos no cartaz "Pratos executivos a sete reais." A comida tinha uma cara agradável, e eu e Adriano Leite não pensamos duas vezes em experimentar. Arroz, feijão preto (como é típico aqui), macarrão, farofa e carne assada. Por mais incrível que possa parecer, estava muito gostosa. Descoberta para nós, ainda estudantes, para os próximos dias. E amanhã tem frango assado!


16/07/2007
O dia em que as coisas acontecem
por Cibelle Fernandes

Acordamos no horário de rotina, por volta das oito da manhã. O único destino traçado era a fila do Posto 2 para assistir aos jogos de vôlei de praia e correr atrás das pautas, como normalmente temos feito todos os dias. Descrentes, descobrimos, meia hora de fila depois, que só tinham ingressos de R$50 para os jogos da hora ou mais baratos para o dia seguinte. Desistimos, a grana está muito curta.

A única pauta certa estava quase perdida, quando, ali na nossa frente acontece uma pequena confusão entre agentes de fiscalização da prefeitura e um ambulante. "Temos uma matéria!", pensamos e já puxando bloquinho, caneta e máquina fotográfica para registrar o momento. Fizemos até o perfil da senhora que esbravejava aos quatro cantos a injustiça com o coitado do ambulante.

Para terminar a reportagem, buscamos outras fontes e logo fomos esperar nossa companheira de apartamento e jornalista Pollyanna Pádua, quando um senhor vira para nosso repórter e comenta, "este senhor aqui foi técnico da primeira seleção feminina campeã de um Pan no vôlei". Eis que sim, temos mais uma matéria! Tiramos fotos, conversamos e felizes fomos andando para almoçar.

 Ao passar pelo Meridien nos deparamos com o senhor ex-Ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, entrando no carro para partir. Como perder esta oportunidade? Da-lhe entrevista e fotos (e também bom humor, porque o senhor Ministro foi super disposto e agradável para responder nossas perguntas).

Impressionados, nos perguntamos como tantas coisas surgiram num curto espaço de tempo. Mas a dúvida quanto a quem seria o sortudo do dia logo foi esclarecida: Adriano Leite resolveu fazer uma "fézinha" comprando duas raspadinhas do Pan e... ganha nas duas!* Impressionante!

Depois de tanta coisa, almoçamos contentes em Copa com tantos acontecimentos, coisas que simplesmente caem do céu. Agora é questão de agilizar todo o serviço pela tarde para termos tempo de comemorar junto a aniversariante do dia, Gabriela Canseco, a cidade que nos hospeda calorosamente. E aproveitando a deixa e que esta parte é mais pessoal e calorosa: parabéns Gabriela, muitas felicidades, sucesso e, "relaxa e goza"!

*Obs: nosso ilustre repórter estava com sorte, mas ainda vai precisar trabalhar bastante. Os prêmios foram de um e dez reais.


15/07/2007
Imprevistos e improvisos no escritório
por Gabriela Canseco

Que imprevisto aconteceriam, isso a gente já imaginava. Mas não contávamos com um que afetaria diretamente nosso trabalho: problemas na conexão pela internet. Primeiro dia de trabalho, notebooks ligados e nada de conexão no apartamento em que estamos hospedados, nem via cabo e muito menos pela rede sem fio. Mesmo com sinal da internet constante, não conseguíamos conectar.

Muito estresse, desânimo e preocupação, porém apenas no primeiro momento. Eis que vislumbramos uma luz no fim do túnel: em todos os notebooks surgiram um sinal de internet que não era o que buscávamos, algum vizinho próximo estava conectado. Roubo de conexão? Não. Apenas usufruindo, assim como muita coisa na internet, de algo que não tem dono. E assim foi e é nossa salvação.

Até que tentamos, com ajuda do nosso assessor técnico de plantão, Flávio da Costa Albuquerque, namorado da Cibelle, resolver o problema. Mas a conexão do nosso apartamento parece conspirar contra nós. Apenas o notebook da Cibelle, por ironia do destino ou não, está diretamente ligado na internet que nos foi prometida. Os demais computadores? Sempre conectados via vizinho.

A sala do nosso "apertamento" foi eleita como nosso escritório de trabalho. Com tantos equipamentos, cabos, máquinas, assessórios, se parece mais com uma lan house. Eu, Adriano Leite e Cibelle Fernandes, "donos" desse site, já nos adaptamos. Pollyana Pádua, jornalista que divide o "apê" com a gente, já delimitou seu espaço. E Eduardo Aphonso, voluntário de fisioterapia do Pan que também ocupa o apartamento, usa os notebooks para usos pessoais e vire e mexe está nos dando dicas sobre o evento. 

Entre problemas e outros a gente consegue se virar e colocar o trabalho em dia. Pelo menos o estresse e preocupação que enfrentamos é aqui, na Cidade Maravilhosa. Com a gente não tem tempo ruim, é botar a mão na massa e fazer o que tem que ser feito. Aqui o negócio é o assim: a gente faz, independentemente das adversidades da vida.

 


14/07/2007
Bom humor no vôo CGH – SDU
por Adriano Leite e Cibelle Fernandes

O comandante do vôo fez as considerações de sempre sobre a cidade que descíamos. Rio de Janeiro, temperatura de 27 graus. Mas o bom tempo e o Pan animaram ontem a conversa entre tripulação e passageiros. O 13 de julho inspirou o diálogo e a criatividade. Durante o percurso, passávamos e éramos "advertidos" sobre as cidades que a gente sobrevoava. Enquanto as pessoas a direita podiam ver a histórica Parati, nós do lado esquerdo nos deslumbrávamos com a famosa Angra dos Reis e as curvas de Ilha Grande.

Já sobrevoando a cidade sede, ainda ganhamos um serviço turístico: Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim - Galeão, Marques de Sapucaí, Engenhão, Marina da Glória, e ainda, uma volta pela Orla do Leblon, Ipanema, Copacabana e, como não poderia faltar, Cristo e no pouso o Pão de Açucar. A viagem não poderia ter começado de maneira mais agradável.


13/07/2007
Sonho na asa de um avião
por Gabriela Canseco

Para tudo na vida há uma primeira vez e para os sonhos nunca é tarde para arriscar. 21 anos: muitas histórias na bagagem e o desafio de andar pela primeira vez de avião. Inacreditável sim! Tantas viagens via terrestre e nenhuma ao alcance das nuvens. Em julho de 2007, em uma sexta-feira 13, estava eu pronta para mais uma nova experiência.

Na sala de embarque a ansiedade, curiosidade e a empolgação já eram parte de mim. A adrenalina descompassava o tempo, fazendo dos minutos uma eternidade. Para tantas pessoas ali aquela era apenas mais uma viagem, apenas mais um vôo. Mas para mim era tudo novo.

Passos firmes atravessando a pista do Aeroporto Santa Genoveva em Goiânia, às 18h50min. Aquele era o meu dia, nada e ninguém me tomaria o prazer de ir, sozinha, ao encontro do desconhecido. Mas a primeira peça de um cenário idealizado caiu por terra. As dimensões da aeronave, que antes conhecia apenas por filmes, decepcionaram ao primeiro impacto. Porém, sabia que aquilo era apenas uma tentativa frustrada da vida querendo me roubar o prazer da empolgação.

Poltrona 11 A. Janela ao meu lado esquerdo e uma grande e imponente asa com turbinas estavam bem ali, grudadas ao meu assento. Foi a primeira e última sensação de medo. Será que eu sofreria mais por estar do lado da asa em uma situação hipotética de acidente? Não, não. Meu foco não era esse. Mais tarde descobri que a adrenalina era maior e a sensação empolgante.

Aos poucos os passageiros do vôo 1357 se acomodaram. Da cabine, uma voz firme deu as boas vindas. O comandante apresentou a equipe e desejou uma boa viagem. Nunca vou esquecer aquela voz e aquela sensação de realmente estar, por fim, "andando de avião". Fechei os olhos e agradeci a Deus por mais uma oportunidade de experimentar e viver a vida.

Turbinas ligadas. Luzes das asas piscando. Avião em movimento. Destino: o desconhecido. A ansiedade tomou conta de mim por inteira. Não era medo, era vontade, gana de me entregar logo à nova experiência. Mais um aviso do comandante: preparar para decolagem. O avião tomou velocidade, uma profusão de sentimentos inexplicáveis. A aeronave decolou, pairando sobre o nada, subindo alto, muito alto. Um sorriso de muitos significados e um olhar atento pela janela foram minhas únicas reações, mas suficientes para concretizar a felicidade de mais um sonho realizado.

Para minha surpresa, em instantes sobrevoávamos a capital paulista de muitas luzes. Era hora da conexão, hora de aterrisar. Mais uma vez um sorriso e um agradecimento de chegar salva ao solo do Aeroporto Internacional de Congonhas. Em poucos minutos já estava em outra aeronave e sentindo a sensação gostosa de uma nova decolagem. Por fim, o último destino: Santos Dumont no Rio de Janeiro.

Já no táxi, rumo à minha morada na cidade maravilhosa, olhando a paisagem pela janela, respirei fundo e celebrei a realização de um sonho. Um mais. Agora o Pan-Americano está por vir. Para os sonhos não existem limites e é a experiência que nos concede o prazer puro e simples de sonhar cada vez mais.

 



Pela fé

"Viemos de Porto Alegre para realizar um trabalho voluntário de evangelização. Estamos num alojamento feito pela nossa igreja em Nilópolis. São duas hora de trem até aqui. O bom é a interação de pessoas dos mais diversos países, como Estados Unidos, Uruguai, Cuba, Equador. O Pan foi uma boa oportunidade para isso."

(de amarelo) Alessandra Lomaso, 14 anos

"Meu pai é pastor e comentou esse projeto com a gente. Ficaremos aqui até o final do Pan. Chegamos na segunda feira, época da confusão com os vôos, então ainda estamos em dúvida quanto a nossa volta. Uma pena o Pan ter vindo com essa crise."

(de rosa) Francine Mantovani, 18 anos.

"Não tivemos a oportunidade de comprar os ingressos antes. Ao menos vamos assistir as finais do futebol feminino amanhã."

Ingrycht Alves Antunes, 24 anos.

Meninas que distribuiam panfletos na porta do estádio Maracanã.

(Rio Grande do Sul)


Pan Tranqüilo

"Achei que aqui ia estar mais cheio, mas fiquei satisfeita por estar mais tranqüilo por causa do meu filho. O Pan até agora está bom. Pensei que seria o caos, mas está apenas o caos normal do Rio".

Renata Abranches, 28 anos, bancária, e Guilherme Almeida, 1 ano.

(Rio de Janeiro)

 

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